
Muito além das cachoeiras, as águas da Serra da Bodoquena guardam uma biodiversidade surpreendente, com peixes de diferentes tamanhos, cores e comportamentos, incluindo espécies que só existem nessa região do Brasil.
Quem visita a Boca da Onça Ecotour certamente se impressiona com a grandiosidade de suas cachoeiras, os mirantes da Serra da Bodoquena e as águas cristalinas que tornam o passeio tão especial. Mas existe um universo igualmente fascinante abaixo da superfície.
Localizada em Bodoquena, no polo turístico de Bonito e Serra da Bodoquena, a Boca da Onça Ecotour está inserida em uma região com 50 espécies de peixes, segundo informações divulgadas pelo próprio atrativo.
Entre elas estão algumas das espécies mais conhecidas dos rios sul-mato-grossenses, como piraputangas, dourados, curimbas e piavuçus. Mas a riqueza vai além: a região também abriga pequenos peixes que despertam o interesse de pesquisadores por sua distribuição restrita e importância para a conservação ambiental.
Para quem gosta de natureza, observar a vida que existe nas águas é descobrir outra dimensão da Boca da Onça, um lugar onde a experiência acontece tanto nas paisagens grandiosas quanto nos pequenos detalhes.
50 espécies de peixes: a riqueza das águas da Serra da Bodoquena
A Serra da Bodoquena é uma das regiões de maior importância para a biodiversidade aquática do Mato Grosso do Sul.
Sua geologia, marcada pela presença de rochas calcárias, contribui para a formação de nascentes, rios de águas transparentes, cachoeiras e ambientes naturais que oferecem condições para diferentes espécies de peixes.
Essa riqueza também é reconhecida pela ciência.
Um estudo publicado em 2021 na revista científica Biotemas, sobre os peixes do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, identificou 60 espécies nos sistemas aquáticos pesquisados. Desse total, 49 foram registradas na bacia do Rio Salobra, evidenciando a relevância desse rio para a biodiversidade regional.
O levantamento utilizou um recorte específico do Parque Nacional, enquanto o número de 50 espécies é aquele divulgado pela Boca da Onça para a fauna da Serra da Bodoquena.
Os dados demonstram a importância dos ambientes aquáticos da região, onde convivem peixes conhecidos dos visitantes e espécies que ainda são pouco familiares ao público.
E algumas delas merecem destaque especial.
Piraputanga: um dos peixes mais emblemáticos de Bonito e Serra da Bodoquena
Nome científico: Brycon hilarii
Se existe um peixe que representa a beleza dos rios cristalinos de Bonito e Serra da Bodoquena, é a piraputanga.
Conhecida por seu corpo prateado, reflexos dourados e nadadeiras com tons avermelhados, a espécie se tornou um verdadeiro símbolo da fauna aquática regional.
É comum encontrar piraputangas em cardumes nos rios de águas transparentes da região, criando um espetáculo para quem gosta de observar a natureza.
A espécie também possui uma relação interessante com a vegetação das margens dos rios. Além de outros alimentos, pode consumir frutos e sementes que caem das árvores, participando das relações ecológicas entre a floresta e o ambiente aquático.
Essa conexão revela algo importante: preservar os peixes também significa conservar a vegetação ao redor dos rios.
Na Boca da Onça, a piraputanga está entre as espécies destacadas na comunicação oficial sobre a biodiversidade da região.
Dourado: um dos grandes predadores dos rios brasileiros
Nome científico: Salminus brasiliensis
Entre os peixes mais impressionantes mencionados pela Boca da Onça está o dourado, conhecido pela coloração dourada e pela força com que se movimenta nas águas.
É uma das espécies mais emblemáticas dos rios da América do Sul e um predador importante nos ecossistemas aquáticos.
O dourado se alimenta principalmente de outros peixes e possui um corpo adaptado à natação rápida. Sua presença integra o equilíbrio natural das comunidades aquáticas.
Outro aspecto interessante é seu comportamento migratório. Em diferentes rios de sua distribuição, a espécie pode percorrer grandes distâncias durante o período reprodutivo.
Para quem aprecia a vida selvagem, observar um dourado em seu ambiente natural pode ser uma experiência marcante, especialmente em águas transparentes, onde os movimentos dos peixes podem ser acompanhados com maior facilidade.
Mais do que um peixe de grande porte, o dourado representa a força e a complexidade da vida que existe nos rios brasileiros.
Curimba: um peixe importante para o equilíbrio dos rios
Nome científico: Prochilodus lineatus
Nem todos os peixes chamam atenção por suas cores ou pelo tamanho. Alguns desempenham funções essenciais para o funcionamento dos ecossistemas.
É o caso do curimba, também conhecido como curimbatá.
Com corpo prateado e hábitos alimentares bastante característicos, esse peixe se alimenta principalmente de matéria orgânica e algas presentes nos sedimentos e superfícies do ambiente aquático.
Ao procurar alimento, participa da dinâmica natural dos nutrientes dos rios.
O curimba também é conhecido por realizar deslocamentos relacionados à reprodução, contribuindo para a continuidade das populações em diferentes ambientes fluviais.
Sua presença entre as espécies destacadas pela Boca da Onça mostra como a biodiversidade aquática envolve animais com funções muito diferentes.
Cada espécie desempenha seu papel, ajudando a manter o equilíbrio das águas.
Piavuçu: uma espécie característica da bacia do Rio Paraguai
Nome científico: Megaleporinus macrocephalus
Outro peixe mencionado na comunicação oficial da Boca da Onça é o piavuçu, também chamado de piauçu.
Nativo da bacia do Rio Paraguai, o piavuçu é um peixe de água doce que chama atenção pelo porte e pelo corpo robusto.
A espécie pertence a um grupo de peixes conhecido por apresentar hábitos alimentares variados, podendo consumir diferentes recursos disponíveis no ambiente natural.
Seu registro na fauna regional também ajuda a demonstrar a conexão entre a Serra da Bodoquena e os grandes sistemas hidrográficos do Mato Grosso do Sul.
Afinal, os rios que nascem nas áreas mais altas fazem parte de uma rede de águas que se conecta a outros ambientes, incluindo a região do Pantanal.
Essa relação é essencial para compreender por que conservar nascentes, matas ciliares e cursos d’água beneficia muito mais do que os lugares onde essas medidas são adotadas.
Hypostomus basilisko: um peixe que revela a exclusividade do Rio Salobra
Nome científico: Hypostomus basilisko
Entre os peixes mais interessantes da região está uma espécie que provavelmente não é tão conhecida pelos turistas: o Hypostomus basilisko.
Trata-se de um cascudo descrito cientificamente em 2014, com distribuição conhecida na bacia do Rio Salobra, na Serra da Bodoquena.
Diferentemente de peixes amplamente distribuídos por diferentes regiões do Brasil, o Hypostomus basilisko chama atenção justamente pela distribuição geográfica restrita.
Sua existência demonstra como os rios da Serra da Bodoquena podem abrigar espécies com histórias evolutivas particulares.
Os cascudos possuem adaptações que permitem explorar ambientes próximos ao fundo dos rios, utilizando rochas e outros substratos.
Embora nem sempre sejam os peixes que mais chamam a atenção dos visitantes, essas espécies são extremamente importantes para o conhecimento científico e para a conservação da biodiversidade.
O registro do Hypostomus basilisko na bacia do Rio Salobra é mais uma demonstração de que a riqueza natural da região vai muito além das espécies mais conhecidas.
Hypostomus froehlichi: uma espécie descoberta nas águas cristalinas da Bodoquena
Nome científico: Hypostomus froehlichi
Outro exemplo extraordinário da biodiversidade regional é o Hypostomus froehlichi, um cascudo descrito cientificamente em 2021.
A espécie foi estudada nas águas da região do Planalto da Bodoquena, sendo considerada de distribuição aparentemente restrita a essa área.
A pesquisa que apresentou sua descrição destacou o potencial desse peixe como símbolo da conservação ambiental, justamente por sua relação com os rios cristalinos que tornaram Bonito e Serra da Bodoquena conhecidos.
A descoberta reforça uma característica fascinante da região: mesmo em um destino turístico consolidado, a ciência continua revelando informações sobre espécies e ambientes naturais.
Isso significa que a biodiversidade ainda guarda muitas histórias a serem conhecidas.
O Hypostomus froehlichi é um exemplo regional, sem confirmação específica de ocorrência na propriedade da Boca da Onça, mas ajuda a compreender a importância ambiental dos rios da Serra da Bodoquena.
Rio Salobra: um dos grandes tesouros naturais da Boca da Onça
Falar dos peixes da Boca da Onça é também falar do Rio Salobra, um dos rios mais importantes da Serra da Bodoquena.
Com suas águas de tonalidade esverdeada, o rio faz parte de alguns dos cenários mais especiais do atrativo.
É nele que se encontra a Prainha da Boca da Onça, um dos pontos de banho mais conhecidos do passeio, com vista para a maior cachoeira do Mato Grosso do Sul.
O Rio Salobra também é um dos protagonistas da Trilha Discovery, uma experiência que percorre parte de suas margens e apresenta diferentes pontos de banho e contemplação, como a Laje do Pial, o Recanto do Mutum, o Estreito do Curimba e a Cachoeira da Fonte.
Ao longo desses ambientes, o visitante pode perceber que cada trecho do rio possui características próprias, com diferenças de profundidade, correnteza, vegetação e formações naturais.
Essas variações também são importantes para os peixes, pois diferentes espécies utilizam diferentes ambientes para se alimentar, encontrar abrigo e se reproduzir.
É essa combinação que torna o Rio Salobra tão relevante para a biodiversidade da Serra da Bodoquena.
Por que as águas da Serra da Bodoquena são tão cristalinas?
Uma das características mais admiradas pelos visitantes de Bonito e Serra da Bodoquena é a transparência das águas.
Mas essa beleza tem uma explicação natural.
A região possui uma formação geológica rica em rochas calcárias. A interação da água com esses minerais e os processos naturais de deposição de partículas contribuem para a baixa turbidez característica de diversos rios da serra.
Em determinados ambientes e condições, essa transparência permite observar rochas, vegetação subaquática e até os movimentos dos peixes abaixo da superfície.
É como descobrir uma segunda paisagem, escondida dentro da água.
Na Boca da Onça, lugares como o Poço da Lontra chamam atenção justamente pela experiência visual proporcionada pela transparência da água.
A visibilidade pode variar conforme o período do ano e as condições de chuva, mas continua sendo uma das características mais impressionantes dos ambientes aquáticos da região.
Preservar os rios é também proteger os peixes
A riqueza de peixes da Serra da Bodoquena está diretamente relacionada à conservação dos ambientes naturais.
Na Boca da Onça, a preservação faz parte do funcionamento do atrativo.
A Fazenda Boca da Onça possui aproximadamente 2.000 hectares, com cerca de 55% de sua área dedicados à preservação da vegetação nativa.
Entre as ações ambientais divulgadas pela propriedade estão a proteção de nascentes e córregos, o cuidado com as matas, o planejamento das trilhas para reduzir impactos e a gestão responsável dos resíduos.
Essas medidas são importantes porque a qualidade dos rios depende também da conservação de tudo o que existe ao redor deles.
As matas ciliares ajudam a proteger as margens, reduzir processos erosivos e manter condições ambientais favoráveis à vida aquática.
Já a proteção das nascentes contribui para a continuidade dos cursos d’água e dos ecossistemas que dependem deles.
Preservar os peixes, portanto, não significa apenas cuidar da água. Significa proteger toda a natureza que torna possível a existência dessas espécies.
Uma natureza reconhecida entre as melhores experiências turísticas do mundo
Toda essa riqueza natural faz parte de um atrativo que já conquistou reconhecimento internacional.
Em 2026, a Boca da Onça Ecotour foi eleita a melhor atração turística da América do Sul pelo Tripadvisor, além de alcançar a 10ª posição entre as melhores atrações turísticas do mundo, no prêmio Travellers’ Choice – Best of the Best.
Esse reconhecimento, baseado nas avaliações dos viajantes, destaca a qualidade da experiência oferecida aos visitantes.
E a Boca da Onça tem muitos motivos para impressionar.
Além da biodiversidade, o atrativo abriga a maior cachoeira do Mato Grosso do Sul, com 156 metros de altura, o maior rapel de plataforma do Brasil, com 90 metros, e paisagens icônicas como o Buraco do Macaco e a Janela para o Céu.
As experiências incluem trilhas, cachoeiras, pontos de banho em águas cristalinas, gastronomia regional e o Day Use, com piscina aquecida, borda infinita e espaços de descanso.
Em meio a tudo isso, a fauna aquática revela mais um motivo para admirar o destino.
Uma experiência que vai além das paisagens
Visitar a Boca da Onça é também uma oportunidade de conhecer a natureza de forma mais atenta.
Durante as trilhas, os banhos e os momentos de contemplação, vale observar os detalhes dos ambientes aquáticos, ouvir as explicações dos guias e compreender a importância dos rios para a vida selvagem.
A presença de peixes depende das características de cada ambiente, das condições naturais e do comportamento das espécies. Por isso, os avistamentos não são garantidos e podem variar entre os diferentes pontos do passeio.
O respeito à natureza também é fundamental: observar os animais sem tocá-los, persegui-los ou alimentá-los contribui para preservar seus comportamentos naturais.
É uma forma de transformar o passeio em uma experiência de descoberta e valorização ambiental.
Venha descobrir a riqueza natural da Boca da Onça Ecotour
Uma região com 50 espécies de peixes, rios cristalinos, cachoeiras impressionantes e paisagens preservadas oferece muito mais do que belos cenários.
Ela revela a força de um ecossistema onde cada espécie desempenha um papel e cada ambiente guarda uma história.
Na Boca da Onça, essa riqueza pode ser apreciada ao longo das trilhas, nas margens do Rio Salobra e nos diferentes pontos de contemplação e banho.
Venha conhecer a Boca da Onça Ecotour, descubra as maravilhas da Serra da Bodoquena e viva de perto a natureza de um dos atrativos mais reconhecidos do mundo.
Porque, na Boca da Onça, a natureza impressiona tanto acima quanto abaixo da água.
